2018, ano da perseverança

2018, ano da perseverança

A cada ano fico aguardando uma diretriz divina que seja norteadora de nossa caminhada comunitária. Para 2018, a partir da experiência vivida por Caleb (Josué 14:6-15), meu coração queimou na direção da PERSEVERANÇA. A linha mestra do texto destacado está numa palavra que aparece nove vezes: “Senhor”(v. 6-10, 12 e 14) – Ele é único, singular, poderoso, soberano, criador e mantenedor do seu povo, inspiração maior da vida de Calebe, que ousadamente declarou: “meus irmãos que subiram comigo, desesperaram o povo; eu, porém, perseverei em seguir o Senhor, meu Deus”(v. 8). Como podemos e devemos perseverar em seguir o Senhor?

I – COMPROMISSANDO-NOS COM A DIREÇÃO DO SENHOR REVELADA NO PASSADO (v. 6-7a) – Conforme relato de Num 13, Calebe fez parte do seleto grupo de 12 homens, cabeças das tribos israelitas, que foram enviados pelo Senhor para espiar a terra prometida: ela era boa ou má, fértil ou estéril, com matas ou sem matas? O povo era forte ou fraco, eram muitos ou poucos? As cidades eram arraiais ou fortalezas? Depois de 25 dias a tarefa foi plenamente cumprida, deixando Calebe profundamente impactado com a visão de que existia unicamente para ser um enviado do Senhor, um missionário separado para cumprir Seus desígnios. Precisamos viver 2018 e toda a nossa vida com a disposição permanente de submeter-nos às direções claras e específicas que Ele concedeu-nos no passado, sem desvios ou abandonos, cumprindo cabalmente Seu chamado, reconhecendo que somos Seus servos, separados para a glória do Seu nome.

II – RESISTINDO ÀS PRESSÕES PERMITIDAS PELO SENHOR NO PRESENTE (v. 7b-8) – Calebe teve com Josué uma saudosa retrospectiva das incríveis experiências vividas juntos, todas elas permitidas pelo Senhor. Todos os espias, ao entregarem a Moisés o relatório sobre a terra, estabeleceram facilmente um consenso: “verdadeiramente, esta é uma terra que mana leite e mel”. Contudo, na sequência, dez espias, movidos: pela ignorância de quem Deus era – Senhor que estabelecia um plano e proporcionava todas as condições para que ele fosse cumprido; pela ignorância de quem eles eram – filhos amados do Senhor libertados de 400 anos de cativeiro no Egito; pela ignorância de quem eram os moradores da terra – gigantes, sim, mas não maiores que o Senhor; acabaram construindo uma unanimidade alicerçada no medo, covardia e incredulidade, “é melhor retroceder e ignorar as promessas de Deus, pois jamais conseguiremos vencer os gigantes”. Mas esta onda avassaladora de pessimismo, que contaminou intensamente o povo, provocou no coração de Calebe uma santa indignação: “eia, subamos e possuamos a terra, porque, certamente, prevaleceremos contra ela” (Nm 13:30).

Calebe, assim, apoiado por Josué, resistiu às pressões externas: o povo da terra realmente era muito forte e seus gigantes poderosos. Nós também, vivendo na “terra brasilis”, enfrentamos grandes pressões, verdadeiros gigantes que tentam impedir a concretização do propósito de Deus para nossas vidas: o avanço avassalador das drogas; a violência, em parte associada a elas, chegando cada vez mais perto de nós para ceifar vidas que nos são caras; uma corrupção sistémica pervadindo todos os poderes da república; uma economia fragilizada pela falta de um governo sábio e honesto; um processo veloz de destruição dos valores fundamentais da família….

Por outro lado, o maior desafio de Calebe foi resistir às pressões internas, desencadeadas por uma liderança completamente desconectada do Senhor, que substituiu a ousadia pelo medo, levando o povo para a morte, como bem sinalizou William Cook: “nas planícies da hesitação jazem os ossos descorados de milhares que, bem às portas da vitória, se sentaram para descansar e enquanto descansavam, morreram”. Dentro do povo de Deus existem hoje graves pressões que conspiram contra a nossa perseverança: pragmatismo – o referencial de comportamento cristão que faz sentido não é o que Deus diz, mas o que funciona; antropocentrismo – o valor da fé é determinado pelo “grande homem de Deus que seguimos” e não pelo Senhor que servimos; materialismo – a espiritualidade se mede pela abundância dos bens e da conta bancária e não pela graça provedora do Senhor…..

Perseverar, significa, assim, ter uma visão e um estilo de vida diferente da maioria: “o meu servo Calebe, visto que nele houve outro espírito, e perseverou em seguir-me, eu o farei entrar a terra que espiou, e a sua descendência a possuirá”(Nm 14:24). Ainda que todos à nossa volta tenham escolhido confrontá-lo, desobedecê-lo, negá-lo e abandoná-lo, nós precisamos permanecer na contramão da história, reafirmando nossa fidelidade a Ele a despeito das pressões,!

III – MANTENDO-NOS FIÉIS AO SENHOR NA MARCHA RUMO AO FUTURO (v. 9-10) – para Calebe, seguramente, o Senhor era o único elo capaz de unir passado, presente e futuro. A promessa do passado era: a terra que ele colocasse os pés seria dele e da sua descendência, permanentemente (v. 9). Num papo franco com Josué, Calebe recordou que o Senhor cumpriu plenamente esta promessa: conservando-lhe a vida (v. 10); mantendo-o especialmente forte mesmo tendo saído dos quarenta e cinco para oitenta e cinco anos (v. 10-11a); preparando-o cuidadosamente para enfrentar novos combates (v. 11b). Ora, se tudo isto acontecera pelo poder do Senhor manifestado em sua vida em cumprimento às promessas do passado, agora, no presente, era hora dele tomar posse do que de fato já era seu no Senhor: “dá-me este monte que o Senhor falou…” (v. 12a). E os gigantes que lá ainda estavam? Seriam todos vencidos pois “o Senhor estava com ele para os desapossar” (v. 12b). Calebe compreendeu que Deus, em sua sabedoria, o havia preparado nas trilhas do passado, para receber no presente aquilo que já separara amorosamente para ele, com a garantia de que no futuro toda a promessa se tornaria realidade plena. Este é o desafio da perseverança que está diante de nós em 2018: uma fidelidade completa que, a despeito das circunstâncias desfavoráveis, resiste à marcha do tempo para reconhecer humildemente o senhorio de Deus.

SERÁ QUE VALE A PENA PERSEVERAR EM SEGUIR O SENHOR? Esta é a única realidade de vida que realmente traz sentido e propósito para a vida, pois quem segue o Senhor: ** é abençoado (v. 13 a) – em Cristo nós somos abençoados com “toda sorte de bênçãos celestiais” (Ef 1:3), tendo a alegria de ter o “sim” Dele para todas as promessas do Pai (II Co 1:20); ** usufrui livremente e cabalmente de uma herança pessoal do Senhor (v. 13b-14) – sem sombra de dúvida há uma benção do Senhor para o seu povo, mas também para cada um de Seus servos, numa manifestação única, pessoal, intensa e miraculosa, para cada servo que persevera nas Suas promessas; ** experimenta o repouso do Senhor (v. 15) – num toque divino de ironia, Calebe encontrou descanso na terra que outrora pertencera a Arba, o maior guerreiro anaquita.

2018, indubitavelmente, será um ano de grandes desafios para nós que, tendo saído da escravidão do pecado, atravessamos o deserto da existência, rumo a uma terra que mana leite e mel, a Jerusalém eterna, cidade santa onde não haverá luto, pranto ou dor (Ap 21), onde desfrutaremos de uma felicidade eterna proporcionada por Jesus, o alfa e o ômega, que de graça nos oferece a água da vida. Para vencer esta jornada e as demais que virão, precisamos tomar a decisão de Calebe: “EU PERSEVERAREI EM SEGUIR O SENHOR, MEU DEUS”.

No Cristo Pedra Viva,
Pr. Jair Francisco Macedo.

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