As prioridades de Jesus – MC 2:13-17

24 de junho de 2019
As prioridades de Jesus – MC 2:13-17

O valioso tempo dos maduros

“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.

Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade…

Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial.”

(Ricardo Gondim)

Ricardo Gondim alerta que devemos focar no que é essencial, no que é prioritário. Prioridade, define o dicionário, é “a condição do que é o primeiro em tempo, ordem, dignidade.” O segredo de uma vida vitoriosa passa pela habilidade de estabelecermos e cumprirmos as prioridades corretas. Quem pode nos ensinar a vencer este ousado desafio? JESUS….

I – JESUS PRIORIZA O INDIVÍDUO (v. 13-14)

Uma multidão ou uma pessoa?

Jesus fez tudo o que estava a seu alcance para acolher as multidões,  ensinando e curando, mas ELE tinha um projeto muito mais audacioso: seu alvo era alcançar não só as multidões de seu tempo mas de todos os tempos, de sua nação mas de todas as nações. Para atingir este objetivo ELE estabeleceu uma estratégia revolucionária: alcançar alguns particularmente, investir neles o melhor de Sua autoridade, amor, sabedoria e poder, para depois, através destes,  alcançar todos os povos e nações. Na matemática de Jesus a melhor de alcançar milhões é alcançando alguns.

Por isso, quando seu olhar cruzou com o olhar de Levi, ELE não teve dúvidas: fez-lhe o maior desafio que um homem pode receber e o trouxe para ser treinado por ELE no time que revolucionaria de maneira definitiva toda a história.

Não podemos ignorar as multidões, mas a melhor maneira de alcança-las é identificar pessoas no meio delas e fazer-lhes um amoroso convite para que sigam Jesus definitivamente e qualificadamente. Jesus quer usar sua história, cultura, habilidades, oportunidades, coração, empatia, amizade, carinho, afeto,  e, acima de tudo, seu OLHAR, para enxergar no meio da multidão os “Levís” e as “Marias” de hoje para desafiá-los a se envolverem numa caminhada de discipulado…..

II – JESUS PRIORIZA OS RELACIONAMENTOS SIMPLES (v. 15a)

A suntuosidade ou a simplicidade? O cenário traçado por Marcos é surpreendentemente simples: “Jesus está à mesa na casa de Levi” – Ele não está num palácio governamental, na academia de letras, na universidade mais conceituada da região, na suntuosa sede da comunidade religiosa judaica, ele está numa casa, numa mesa simples, com um homem  que ele acabara de selecionar para seu time, imbuído de uma disposição simples: comer e beber.

Este é o nosso Cristo: o Deus da casa –  ELE esteve em casas onde havia festas de casamento, celebrações, alegria, mas também onde havia tristeza, angústia, enfermos, endemoninhados, sofredores;  o Deus da mesa   –  o Deus que falava de sal, fermento, mostarda, trigo, sementes, frutos, vinha, que comia e bebia sem os preconceitos perversos dos religiosos ávidos por acusá-lo. Jesus é e continua sendo o Deus da casa e o Deus da mesa, o Deus que quer relacionar-se conosco na intimidade dos nossos cenários corriqueiros e destituídos de glamour ou de qualquer reconhecimento humano.

Exemplo – aniversário do Renato: vivemos nesta quarta a espiritualidade de um abraço, uma brincadeira, um sorriso, um testemunho, uma oração, mas também a espiritualidade  de um salgadinho, um suco de manga, um pudim maravilhoso, um bolo em que celebramos a beleza de uma vida a sete décadas sustentada pelo Deus da casa e Deus da mesa, o Deus dos relacionamentos simples, porém transformadores….

         III – JESUS PRIORIZA OS EXCLUÍDOS (v. 15 b)

Os aprovados ou os reprovados?

Agora é hora de focar nossa atenção nas pessoas que estavam na com JESUS na casa e na mesa de Leví. Alí, além dos discípulos que acompanhavam Jesus em todas as Suas jornadas, estavam também “muitos publicanos e pecadores” (v. 15). Os publicanos eram: coletores de impostos, logo trabalhavam para os inimigos de sua própria pátria, uma vez que ela estava sob o domínio dos romanos; desonestos – roubavam dos judeus e do romanos; violentos – não mediam as consequências do que faziam, contanto que alcançassem seus objetivos corruptos (o talmude dizia que eles eram homens assassinos, salteadores e sem chances de arrependimento); imundo– pois tinham contato direto com os gentios; Teócrito – “entre as feras bravas, quais são as mais cruéis? Os ursos, os leões da montanha e os publicanos”. Jesus, além de chamar um publicano para seguí-LO, tem a ousadia de associar-se a publicanos num encontro não muito recomendável para quem se apresentava como o profeta de Deus. E o texto, talvez querendo resumir o tipo de gente com o qual Jesus admitia conviver, dizia  – “publicanos e pecadores, porque estes eram em grande número e também o seguiam”

A mensagem é clara: Jesus prioriza os excluídos, os estigmatizados, a gentalha do povo (filósofo Kiko), o lixo da sociedade, os rejeitados, os reprovados, os que estão à margem do caminho…. Outra lição clara: Jesus espera, ao nos chamar, que tomemos iniciativas simples como oferecer a nossa mesa, para que na informalidade de um “comes e bebes”, num ambiente de respeito e acolhida, ELE possa tocar no coração daqueles que estão ligados a nós mas ainda não estão ligados a ELE….

IV – JESUS PRIORIZA OS PECADORES (v. 16-17)

Os justos ou os pecadores?

Voltemos nossa atenção para outros personagens do nosso texto. A mim fica a impressão de que eles estavam lá como penetras, pois não faziam parte do círculo relacional de Leví. Eles eram “escribas dos fariseus” = “separados”, eram pessoas que, orgulhosamente, diziam ter separado suas vidas para cumprir os mínimos detalhes da Lei. Eles surgiram como grupo distinto na sociedade judaica depois da revolta dos Macabeus, por volta de 140 a.C. Sempre foram minoria, mas com grande influência religiosa. Focavam uma pretensa ética, em detrimento da teologia, e, na verdade, em favor de uma profunda sede de poder.

Ao vê-los com todas as suas armas apontadas para ELE, com a disposição única de confrontá-LO e condená-LO, (v. 16) , Jesus respondeu com toda autoridade:  “os sãos não precisam de médico, e sim os doentes, não vim chamar justos, e sim pecadores”.  Aqui Jesus define sua grande prioridade: Seu foco não são os justos e sãos, mas aqueles  que do ponto de vista espiritual são pecadores = doentes que, na verdade, não precisam de uma religião, de um rito, de uma instituição, de uma tradição, de um grupo que se auto-proclama como superior às demais pessoas, mas precisam de cura espiritual, de perdão e libertação dos pecados,  de salvação, de restauração, de uma verdadeira cirurgia interior que lhes proporcione um novo coração, uma nova vida, uma nova história.

Jesus, assim, diz aos fariseus: vocês, hipocritamente, consideram-se sãos, perfeitos, justos, santos, inculpáveis…., eu por isso, não tenho absolutamente nada a fazer por vocês! Mas este, com os quais eu como e bebo, fazem parte do meu foco, da minha atenção, são a minha prioridade, pois eles são pecadores a caminho do arrependimento….

   CONCLUSÃO

Sem sonhos, a vida não tem brilho. Sem metas, os sonhos não tem alicerces. Sem prioridades, os sonhos não se tornam reais.”

(Augusto Cury).

Jesus nos chama hoje a avaliar nosso estilo de vida, nossa agenda, nossas rotinas, nossas prioridades. Jesus nos desafia hoje a estabelecermos as suas prioridades: pessoas; relacionamentos; excluídos; pecadores. Que o Espírito Santo nos ajude a discernir estas prioridades e as estabelecermos em nossas vidas, para que sejamos instrumentos poderosos de avanço do Reino de Deus

DESAFIO:

  • Jesus passa hoje aqui como passou na coletoria de Levi: “segue-me”
  • Jesus passa hoje aqui para ir com você em sua casa, na sua mesa, para se envolver com seus amigos pecadores, para curá-los como curou você!

PR. JAIR FRANCISCO MACEDO

PREGADO EM 03.02.2019 

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