Diminuir e crescer, eis a questão! – JO 3:22-36

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20 de novembro de 2016
Diminuir e crescer, eis a questão! – JO 3:22-36

“Os melhores perfumes estão nos menores frascos” diziam meus   velhos amigos na tentativa de oferecer um encorajamento que me ajudasse a lidar positivamente com um padrão de beleza física não convencional. Pertenço, com muita honra, ao “clâ macedônico” da pequenina Rubiataba-GO, cujos membros têm duas marcas registradas: escassez capilar e de estatura. Com muito exercício físico e tratamento especializado alguns alcançaram a espantosa altura de 1.65m. A maioria, entretanto, mesmo com a ‘generosa ajuda’ da indústria de calçados, empacou na faixa de 1.50 a 1.60m.  Com este DNA, por maior que seja o esforço, é impossível ter uma estatura mediana.

 

Na caminhada espiritual, porém, a história pode e deve ser outra. Após nascermos em Cristo (Jo 3), somos permanentemente desafiados pelo Evangelho, bem como por todo o NT,  a crescermos em Cristo. Enquanto o nascimento  é um ato, o crescimento é um processo para toda a vida que visa nos aproximar de um padrão de espiritualidade por Paulo chamado de “ perfeita varonilidade –  a medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4:13b).  Mas este desafio é viável, factível, atingível? Sim, desde se absorva um princípio de vida aqui magnificamente descrito por João Batista: “convém que Jesus cresça e que eu diminua” (v. 30).

 

Os primeiros versos do texto fornecem um contraste dos ministérios de Jesus e de João Batista: ambos estavam acompanhados de discípulos (v. 22, 25),  batizavam (v. 22, 23 – nb.: Jesus batizava através dos discípulos – 4:2),  tinham aceitação popular (v. 23, 26), porém eles exerciam seus ministérios em locais diferentes (v. 22, 23).

 

A partir de uma discussão sobre purificação (v. 25), os discípulos de João Batista o procuraram e demonstraram uma preocupação com o avanço do ministério de Jesus (v. 26). Seu mestre estava perdendo terreno. O que fazer?

 

Podemos resumir a resposta de João Batista, dada a partir do v. 27, em uma só expressão: “convém que Ele cresça e que eu diminua” (v. 30). Nela JB  demonstra sua real consciência de  seu papel no contexto das relações de Deus entre os homens. Com ele, assim, aprendemos duas verdades importantes……

 

I – EU PRECISO DIMINUIR

 

João Batista, olhando para Jesus e para si mesmo, ficou plenamente convicto da necessidade urgente de uma expansão de Jesus no seu coração, junto ao seu povo e, acima de tudo, na liderança espiritual que até então ele exercia. Mas como isto aconteceria se ele insistisse em ser o mesmo João? O que antes era uma perspectiva profética, agora era uma realidade indubitável e inevitável: no grande enredo das intervenções divinas na história humana ele, que fora personagem central de um capítulo importantíssimo, precisava sair de cena. Por quais razões?

 

Porque sua provisão vinha exclusivamente do céu (v. 27) – nada do que João fizera, até então,  não foi fruto de sua capacidade, mas resultado direto de um chamado e uma capacitação vinda graciosamente do céu, ou seja, de Deus; não somos auto  suficientes, por isso precisamos receber a suficiência do Alto que só é dada àqueles que se humilham.

 

Porque sua identidade era humana (v. 28) – gosto muito da primeira referência do evangelista João a seu xará João Batista – “houve um homem enviado por Deus cujo nome era João” (Jo 1:6) – na qual fica pontuada sua relevância (“enviado por Deus”), mas também sua insignificância (“houve um homem”).  Pessoas grandemente usadas por Deus não são “Cristo” na terra, mas apenas seus “precursores”, ou seja, facilitadores de Sua penetração no coração humano para promover salvação, santificação e missão.

 

Porque a agenda “conjugal” divina estava cumprida (v. 29) – usando uma linguagem figurada, João Batista imagina o novo movimento de Deus entre os homens como um bem sucedido casamento: Jesus era o noivo que viera em busca de Sua noiva, a igreja, com a finalidade de estabelecer com ela uma aliança que envolvia salvação e missão. Seu papel, como amigo de Dele, consistia em facilitar esta conexão que permitiria uma nova aliança  com Deus baseada essencialmente na graça (Jo 1:17), ou seja, no Seu desempenho como único Salvador e não na capacidade do homem de satisfazer por suas realizações as expectativas divinas. João, viveu assim a transição da velha aliança para a nova aliança, do velho testamento para o novo testamento. Este era o seu papel – ser um elemento de transição.  Vislumbrou a beleza desta nova aliança, mas não estava nos planos divinos que ele a experimentasse. Estamos ainda vivos porque Jesus tem desejado nos usar como conectores entre Ele e os homens, mas uma vez estabelecida esta conexão muitas vezes Ele também nos tira de cena….

 

Porque a sua diminuição era imprescindível para que acontecesse o crescimento de Cristo (v. 30 “Convém….”) – Ex. da reunião de oração do presbitério. Nosso coração tem um único trono que não pode ser partilhado…

 

II – JESUS PRECISA CRESCER (v. 30 “Convém que Ele cresça….”)

 

Os especialistas bíblicos divergem se  as palavras seguintes foram ditas por João Batista ou por João evangelista. Mas cabe aqui, com certeza, uma convergência: é o próprio Deus que está falando usando um instrumento humano… Por que Jesus precisa crescer?

Porque Jesus é soberano sobre todos (v. 31)

Sua soberania é resultado de sua origem: veio das “alturas… do céu…” , ou seja, Ele é o próprio Deus (Jo 1:1, 14). Esta é a sua identidade: divino, eterno, supremo, único, inigualável. João, apesar de importante, era como nós –  somos humanos: temporários, frágeis, débeis, limitados. Sendo Deus, tem autoridade sobre todos que “vêm da terra e falam da terra”. Esta é a lógica: o humano se submete ao divino, o barro ao oleiro, o servo ao Senhor!

 

Porque Jesus fala para todos (v. 32-34)

Dizer que Jesus é soberano pode passar para alguns a falsa idéia de que Ele é um Deus desligado, desconectado, alienado ou mudo. João tinha de Jesus uma visão diametralmente oposta:

+ Jesus falava de realidades que Ele tinha “visto e ouvido” (v. 32), ou seja, falava com conhecimento de causa, profundidade e coerência;

+ O acolhimento de Sua palavra proporcionava uma genuína e extraordinária experiência com Deus , “certifica que Deus é verdadeiro” (v. 33) – Ele é a última e definitiva palavra de Deus aos homens (Jo 6:68; 7:46);

+ A Sua palavra era uma revelação do Espírito e evidencia o desejo de Deus repartir conosco de forma abundante, pela palavra de Jesus, este mesmo Espírito (v. 34; Jo 1:33; 7:38-39).

 

Porque Jesus recebeu  autoridade sobre todas as coisas (v. 35)

João Batista percebeu a autoridade de Jesus de forma inequívoca quando batizou Jesus, pois viu sobre Ele um reconhecimento do Espírito e do Pai (Mt 3:13-17). Jesus tinha plena consciência desta extraordinária autoridade (Mt 11:27; 28:18). Como homem temos a  tendência de querer resolver todas as coisas porque achamos que somos hábeis, inteligentes, competentes, criativos e ousados. O resultado desta atitude é frustração e fracasso. Quando entregamos tudo nas mãos de quem tudo pode, a vitória nos é conferida!

 

Porque só Ele pode conferir vida eterna a todos os que creem (v. 36)

Apesar de Jesus ser soberano sobre todos, falar para todos e exercer autoridade sobre todas as coisas, Ele não confere a vida eterna para todos: ela é conferida de forma pessoal, única, definitiva e plena apenas àquele que Nele crê, que admite sua divindade, admite sua salvação, se arrepende e O reconhece como salvador e Senhor. Se, porém, houver uma rejeição de Jesus , haverá condenação e morte (v. 36).

 

CONCLUSÃO

 

“A igreja existe para nada mais do que atrair os homens a Cristo e fazer deles pequenos Cristos. Se ela não está fazendo, todas as catedrais, ministros, missões, sermões e até mesmo o próprio estudo bíblico simplesmente serão desperdício de tempo” (C. S. Lewis).

 

Então, chegamos agora a um momento crucial: este culto e esta mensagem só terá valido a pena se você e eu estivermos realmente convencidos de que não temos outra saída senão a de JB: “convém que Jesus cresça e que eu diminua”. Este é um processo duro e extremamente difícil e que precisa se estender até o último minuto de nossas vidas. Ele incomoda, doi, fere, machuca, sangra e mata! Envolve reconhecer sinceramente quem nós somos – pecadores – e quem Jesus é – Salvador e Senhor. Você está disposto a vivê-lo?

 

“Nosso maior desafio na vida espiritual é poder dizer que nós nos parecemos com Jesus e, além disso, dizer que nós somos Jesus vivente hoje. Verdadeira salvação está em se tornar igual a Jesus”. (Henrry Nowen – escritor apreciado, sacerdote católico holandês)

 

JAIR FRANCISCO MACEDO

PREGADO EM 20.11.2016

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