24 de agosto de 2017
A fonte do erro – MC 12:18-27

Jesus, na semana da sua morte, é questionado pelos saduceus (v. 18),  que constituíam um partido aristocrata e rico, proeminente na política e conivente com a dominação romana. Segundo eles (v. 19-23), uma certa mulher casou-se sucessivamente com sete irmãos, dos quais não teve filhos e sobreviveu a todos.  De qual deles, na ressurreição, era seria esposo? Na resposta de Jesus (v. 24-27) descobrimos A FONTE DO ERRO que eles estava cometendo e que muitas vezes também é fonte de nossos erros….

 

I – A FONTE DO ERRO É O DESCONHECIMENTO DAS ESCRITURAS (v. 24)

 

Os saduceus tinham uma mente “pré-concebida” em relação à ressurreição: para eles ela não existia e nem viria a existir (v. 18, At 23:8). Pressupostos falsos estabelecem alicerces frágeis que não dão suporte à construção de nossas vidas. Se o ponto de partida é ruim a chegada será prejudicada….

Os saduceus tinham uma motivação falsa. O interesse deles em Jesus e na Sua verdade  era nulo. O único objetivo que tinham era colocar Jesus numa situação desconfortável que O obrigasse a negar o princípio divino da ressurreição. Não basta buscar Jesus, é preciso buscá-LO com uma motivação sadia.

Os saduceus evocaram a lei sem contudo conhecê-la verdadeiramente. Apesar de considerarem relevante o Pentateuco, não tinham  para com as demais partes das Escrituras do VT a mesma atenção. Além disso,  baseados na “lei do levirato” (lei do “cunhado” – Dt 25:5-6) e em sua suposição de que a vida vindoura é apenas uma continuação da vida atual, inferiram que Moisés não poderia ter crido numa vida futura pois esta vida provocaria absurdos como desta mulher. Firmemente, Jesus os refutou lembrando que as condições da vida futura não são iguais à vida na terra (v. 25). O matrimônio é uma necessidade na terra com o fim de prover a continuidade da raça, bem como para trazer aos cônjuges alegria, conforto, consolo, esperança e realização. Porém, na  nova criação, apesar de não perdermos nossa identidade, não existirão estas necessidades, por isso não haverá casamento, todos serão como anjos nos céus, ou seja, inteiramente livres destas sujeições materiais.

Na sequência, nos versos 26 e 27, Jesus chamou a atenção dos saduceus para outra passagem do pentateuco: Ex 3:5-6. Ao revelar-se na sarça Deus declarou: “Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó”, indicando que Sua relação com eles era permanente e que não havia sido interrompida pela morte dos patriarcas. ELE é o Deus eterno, Deus de vivos!

Os saduceus criaram um caso de excessão como se fosse regra. A lei de Moisés sobre o “matrimonio levirato” destinava-se a casos excepcionais. Eles, porém, inventaram um caso de pouca probabilidade de acontecer como se ele fosse comum. Erraram, portanto, por desconhecer que as Escrituras continham essa lei para ajudar nos casos excepcionais….

 

II – A FONTE DO ERRO É DESCONHECER O PODER DE DEUS (v. 24)

 

Os saduceus não criam na ressurreição, nem nos anjos, nem no espírito (At 23:8), limitando, assim, o poder de Deus apenas às realidades materiais. Eles diziam: “não compreendemos como os corpos hão de ressuscitar, portanto não cremos que exista a possibilidade que se levantem”. Falavam como se o poder de Deus se restringisse  apenas aos limites da razão humana e pecadora. Deus, porém, sendo possuidor de todo poder e autoridade, promove transformações que extrapolam nossa tacanha compreensão (I Co 15:35-45).

Os saduceus, portanto, eram “materialistas religiosos”: admitiam a autoridade das Escrituras, especialmente do Pentateuco, porém criam que todo ele havia sido dado para ordenar a vida natural dos homens na terra, desconhecendo a real extensão do poder de Deus que atua na delineação da vida futura.

 

CONCLUSÃO

 

No v. 27 Jesus afirmou que os saduceus “laboravam em grande erro”. Trazendo para nosso contexto, seja a nível pessoal, familiar ou eclesial, temos laborado em erro por também desconhecermos as Escrituras e o poder de Deus. Como podemos “laborar em acerto”, corrigindo na raiz nossos erros?

1.     Precisamos conhecer mais as Escrituras

Este conhecimento envolve: arrependimento – se estamos errando precisamos

pedir ao Senhor perdão; decisão – a Escritura precisa efetivamente ser uma prioridade diária; planejamento pessoal – o que? quando? como? onde?  são perguntas importantes para delinearmos um caminho eficiente de aprendizado das Escrituras; engajamento comunitário – além do estudo pessoal, precisamos aproveitar as oportunidades regulares de estudo das Escrituras oferecidas pela igreja (ex.: na Pedra Viva temos semanalmente 13 ocasiões de estudo em grupos diversificados e ainda um trilho organizado de reflexão que pode ser feito em 4 a 5 anos); perseverança  – conhecer as Escrituras é um projeto projeto proje pro projeto a

projeto para a vida inteira.

2. Precisamos conhecer mais o poder de Deus

Este conhecimento envolve: arrependimento – se estamos ignorando, negando ou deixando de usufruir do poder divino precisamos confessar este grande pecado; oração (Ef 2:14-15) – o poder vem do alto e só pode experimentá-lo quem se curva humildemente perante o Pai; Espírito (Ef 3:16) – Ele é a fonte do poder que o Pai nos disponibiliza; Cristo (Ef 3:17-19) – tudo já é nosso em Cristo; Palavra (Ef 3:20-21).

Que  o Senhor nos permita, pela convergência equilibrada entre Sua Escritura e Seu poder, experimentarmos uma caminhada com mais acerto, para Sua honra e glória!

 

PR. JAIR FRANCISCO MACEDO

SERMÃO PREGADO EM 24.04.2016

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