Perseverando na caminhada com Jesus – I PD 2:1-10

18 de fevereiro de 2018
Perseverando na caminhada com Jesus – I PD 2:1-10

Pedro, na caminhada do discipulado com Jesus, viveu todas as experiências relacionadas ao nascimento, desenvolvimento e amadurecimento da fé. Por isso, ao escrever sobre a necessidade de seguir etapas crescentes e constantes na construção de uma vida cristã vitoriosa, Ele comunica com a autoridade do Espírito Santo que lhe inspirou, mas também com a autoridade da experiência. Hoje, somos privilegiados em ter contato com a sua palavra que, na verdade, é Palavra de Deus para o nosso coração, uma chamada poderosa ao crescimento…. A PERGUNTA CHAVE AO TEXTO É: O QUE ENVOLVE A NOSSA CAMINHADA COM JESUS?

I – PERSEVERANDO NO CRESCIMENTO (v. 1-3 “… crescimento para salvação..” – v. 2b)

Pedro compara a caminhada cristã a um crescimento…

  1. Sinal do crescimento: mudança de hábitos (v. 1 “Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências”)
    Despojando-vos” dá a ideia de um processo contínuo de “trocas de roupas”, simbolizando uma mudança de comportamento. Da conversão até à partida para o Senhor, nosso desafio é abandonar todos os hábitos e costumes que antigamente considerávamos relevantes, mas que entristecem o Senhor, pois são pecados. (Ex.: Pr. João Batista – Missão Vida).
  2. Pressuposto do crescimento: “nascimento” (v. 2 “… como crianças recém-nascidas…”)
    Muitas pessoas, “engravidadas” do amor de Deus, começam a desenvolver alguns hábitos que sinalizam a possibilidade de experimentarem uma nova vida espiritual. Contudo, esta possibilidade não se concretiza por uma questão objetiva: elas nunca nascem espiritualmente. Assim como na gestação a criança cresce, mas para crescer plenamente ela precisa nascer, na  caminhada cristã um “novo nascimento” é fundamental para que haja um efetivo crescimento  (Jo 3:1-15).
  3. Dieta” do crescimento: leite espiritual (v. 2 “… desejai ardentemente… o genuíno leite espiritual…”)
    O recém nascido precisa de cuidado materno/paterno e alimentação apropriada, ou seja,  leite “genuíno” = puro, saudável, sem distorções, sem deteriorações…. Nascemos pela Palavra e crescemos pela Palavra. Tudo isto se faz com um acompanhamento pessoal….
  4. Objetivo do crescimento: “santificação” (v. 2 “… para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação…”)
    A bíblia, geralmente, apresenta a “salvação” como a “libertação da condenação do pecado”. Mas aqui “salvação” é também “libertação do poder do pecado”, ou seja, santificação…… Não crescemos para sermos abençoados, mas para sermos santos…..
  5. Processo do crescimento: experimental (v. 3 “se é que tendes a experiência de que o Senhor é bondoso”)
    Não somos chamados a desenvolver teorias acadêmicas sobre Deus, mas a conhecê-LO de maneira pessoal, concreta e definitiva. A primeira experiência diz respeito à “bondade salvadora do Senhor”. Todas as demais experiências são relativas à “bondade santificadora do Senhor”….     O “se” deste versículo remete-nos a uma realidade importante: só pode crescer na santificação quem nasceu na salvação. Esta afirmação parece óbvia, mas merece destaque pois muitas vezes estamos tentando levar ao crescimento espiritual pessoas que não podem crescer, uma vez que ainda não creram em Jesus como Salvador e Senhor. Sem uma experiência da bondade salvadora do Senhor não podemos vivenciar sua bondade santificadora. O primeiro passo da caminhada cristã é a salvação, o segundo a santificação, o terceiro a glorificação. Esta ordem, em hipótese alguma, pode ser invertida.

II – PERSEVERANDO NA CONSTRUÇÃO (v. 4-9)

Nesta segunda parte texto,  Pedro compara a caminhada cristã a uma construção…

  1. Desenvolvendo um relacionamento de intimidade com o construtor – Jesus (v. 4 “Chegando-vos para Ele….”)
    Viver na geografia da “Pedra Viva” é uma postura imprescindível para quem deseja fugir do raquitismo espiritual….

    • Porque Jesus é a Pedra Viva (v. 4 “… a pedra que  vive…”)
      Esta vitalidade da Pedra é decorrente da Sua ressurreição, quando a morte foi vencida e Seu poder vivificador foi cabalmente demonstrado. Assim como Jesus ressurgiu com poder dos mortos para uma nova vida, somos chamados a viver uma vida nova, ressurreta, santa.
    • Porque Jesus é a Pedra de Deus (v. 4 “… rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa”)
      Nossa relação com Jesus tem de ser diferente da relação dos homens com Ele: por estes foi rejeitado, por nós foi acolhido como o tesouro escolhido e precioso de Deus. O fato de Jesus ter em sua vida, palavras e ações o selo da escolha divina, garante-nos que estamos ao lado de Alguém inteiramente legitimado por Deus. Crer em Jesus é crer em Deus, ver Jesus é ver a Deus, seguir Jesus é seguir a Deus, amar Jesus é amar a Deus….
    • Porque Jesus nos proporciona uma nova identidade (v. 5 “…também vós mesmos, como pedras que vivem…”)
      A  crença na “Pedra Viva” mudou nossa identidade. Agora, nós que vivíamos na morte do pecado, somos “pedras que vivem”. A vida ressurreta de Jesus foi comunicada a nós de forma poderosa e qualificada….
    • Porque Jesus nos proporciona uma nova comunidade (v. 5 “.. sois edificados casa espiritual…”)
      Além de sermos singularmente ligados  a Jesus, fomos ligados uns aos outros na medida em que fomos colocados como pequenas pedras sobre a Pedra de todas as pedras, formando uma “casa espiritual”. Assim, vamos descobrindo duas importantes  dimensões da salvação: ela tem uma dimensão pessoal (ninguém pode vive-la em nosso lugar) e uma dimensão comunitária (ninguém pode ficar sozinho depois de experimentá-la).
    • Porque Jesus nos proporciona uma nova relação com Deus (v. 5  “… para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo”)
      Toda esta conexão a Jesus, a Pedra Viva, e à Igreja, a casa espiritual, proporcionar-nos provisão, capacitação e disposição para sermos “sacerdotes santos”, ou seja, homens e mulheres separados para “oferecer sacrifícios espirituais a Deus”, ou seja, adorar a Deus por “intermédio de Jesus Cristo”. Quanto mais adoramos a Deus por Jesus, mais crescemos em santificação, porque na presença de Deus descobrimos quem somos e o que devemos ser. Jesus, então, é o elo que nos une qualificadamente a Deus e uns aos outros.
  2. Reconhecendo Jesus como único fundamento da construção   (v.  6-8)
    • Revelado nas Escrituras (v. 6 “Pois isso está na Escritura…”)
      Jesus não foi um forasteiro que adentrou por acaso a história humana. Sua vinda foi prevista e anunciada durante séculos por Deus, através dos profetas, em detalhes que foram plenamente cumpridos (Lc 4 compare com Is 61).
    • Estabelecido por Deus (v. 6 “… eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa…”)
      Existia na eternidade uma sintonia plena, completa, perfeita, única, entre Jesus e Deus, porque na verdade Jesus é Deus. Porém, na plenitude do tempo, Deus resolveu colocar Jesus como a pedra principal de toda a história humana (Jo 1:1, 14) e, em especial, da sua “casa espiritual” – a igreja (I Co 3:9b-11 “Edifício de Deus sois vós. Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como prudente construtor; e outro edifica sobre ele. Porém, cada um veja como edifica. Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo”).
    • Dígno da inteira confiança dos que nele creem (v. 6 “… e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado”)
      Jesus é a pedra singular, referencial, sustentadora, ímpar, inigualável, imutável que traz segurança, relevância, vitalidade, espiritualidade, felicidade, sentido e propósito a todo aquele que nela crê. A crença em Jesus assegura-nos a certeza absoluta de que estaremos eternamente na presença de Deus, sem qualquer risco de sermos envergonhados.
    • Que resulta em crença e descrença (v. 7-8 … para os crentes… preciosidade… para os descrentes… pedra de tropeço e rocha de ofensa…)
      Pedro faz um contraste entre crentes e descrentes: os primeiros encontram em Jesus uma pedra angular preciosíssima, passando a ter Nele o alicerce fundamental de suas vidas, construindo um edifício espiritual sólido, permanente e transformador, pedra de passagem que os conduz à presença eterna de Deus; os descrentes, pelo fato de não crerem Nele, ficam sem um alicerce espiritual, e, ao invés de caminharem rumo a Deus, tropeçam na sua própria escolha e vivem uma vida distante da palavra, em desobediência, que os conduz para o inferno, longe de Deus. Este é o grande contraste: a Pedra que salva é a Pedra que  condena; a Pedra que constrói é a Pedra que destrói; a Pedra que sustenta é a Pedra que  derruba.
  3. Discernindo os objetivos da construção (v. 9-10)
    “Vós, porém, sois…..” (v. 9). Nós somos:

    • Escolhidos de Deus (v. 9 “… raça eleita…”)
      Somos “raça eleita” – da mesma maneira que Deus escolheu Israel no passado para ser Seu povo especial, Ele nos escolheu no presente para pertencermos ao novo Israel, a Igreja, povo eleito sem consideração de méritos pessoais, mas pela Sua vontade soberana revelada em Jesus (Jo 15:16)..
    • Sacerdotes de Deus  (v. 9 “sacerdócio real…”)
      Jesus, o único sacerdote rei (Zc 6:13), conferiu-nos o seu sacerdócio, com a finalidade de sermos em Suas mãos instrumentos para conectar os homens com Deus; o sacerdócio não está restrito aos líderes religiosos, pelo contrário, inclui todos aqueles que fizeram-se servos do Rei por meio da fé sincera em Jesus..
    • Santos de Deus (v. 9 “… nação santa…”)
      Fomos separados de todas as nações para o reconhecimento exclusivo de Deus como Senhor, que significa uma disposição determinada e contínua de sermos cada vez mais parecidos com  Deus, pela rejeição crescente do pecado e absorção crescente das Suas virtudes…
    • Pertencentes a Deus (v. 9 “… povo de propriedade exclusiva  de Deus…”)
      A crença em Jesus nos deu salvação, mas também uma nova vivência: pertencemos agora e para sempre ao povo que é propriedade exclusiva de Deus uma vez que foi comprado pelo sangue precioso de Jesus, povo que viu na misericórdia divina a resposta definitiva para os seus pecados…
    • Proclamadores de Deus (v. 9 “… a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”)
      A contrapartida da salvação é a missão: transformados poderosamente por Jesus, somos por Ele capacitados a declarar aos homens tudo que Ele é, fez, e fará na marcha da história. Não fomos salvos apenas para ir ao céu, mas para cumprir uma grande missão na terra: evidenciar, por palavras e ações, a beleza Daquele que trouxe luz às trevas da nossa existência.
    • Povo de Deus AGORA (v. 10 “… vós, sim, que, antes, não éreis povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.”)

CONCLUSÃO:

Somos o povo de Deus em Cristo (v. 10 “… vós, sim, que, antes, não éreis povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.”) Como, porém, viver esta experiência agora de CAMINHAR NA PEDRA VIVA?

  1. Compreender a essência da CASA ESPIRITUAL
    A Igreja Presbiteriana  Pedra Viva é uma casa espiritual (v. 5)

    • Projetista, construtor, alicerce, colunas: Jesus Cristo = Pedra Viva (v. 4a)
      “Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa…” (v. 6)
    • Tijolos:  crentes em Jesus = pedras vivas
      “… Vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual” (v. 5)
    • Construção:
      • Assentamento dos tijolos: crença em Jesus como Salvador e Senhor
        • Quem crer na Pedra não será envergonhado” (v. 6)
      • Crescimento da casa
        • Palavra = “desejai o genuíno leite para que por ele vos seja dado crescimento para a salvação” (v. 2)
        • Oração  = “chegando-vos para Ele, a Pedra…” (v. 4)
    • Objetivo
      • Adorar – “Sois casa espiritual para serdes sacerdócio santo….” (v. 5);“Sois sacerdócio real..” (v. 9)
      • Evangelizar – “Sois casa espiritual…. a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das  trevas para a sua maravilhosa luz (v. 9)
      • Comungar – “Vós que antes não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus” (v. 10)
  2. Envolver-se efetivamente com a casa espiritual:
    Conectar com o Evangelho de Cristo, Compromissar com a igreja de Cristo, capacitar para a obra de Cristo, comissionar para  a influência/liderança de Cristo.

Pr Jair Francisco Macedo
Sermão pregado em 18/02/2018

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