Perseverando na comunhão (Amor Fraterno) – I TS 4:9-12

14 de fevereiro de 2018
Perseverando na comunhão (Amor Fraterno) – I TS 4:9-12

“NO TOCANTE AO AMOR FRATERNAL…”

Da nossa lona de identificação externa da IPPV, depois de 5 anos de uso, sobrou apenas a frase: “Uma Família Cristã Perto de Você”. Suponhamos que por circunstâncias alheias à nossa vontade, perdêssemos não  só a lona, mas também o espaço de reunião, as provisões financeiras, algumas lideranças chaves, o pastor, algumas pessoas referenciais, mas obra da graça divina conseguíssemos preservar este valor que traduz nossa visão comunitária: ser uma família cristã perto das pessoas. Se isto viesse acontecer, teríamos ficado com a nossa maior riqueza, que circunstância nenhuma pode roubar, pois somos e sempre seremos a família de Deus em Cristo (“Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus” – Ef 2:19).  É este sentimento familiar que está no coração de Paulo e foi expresso no texto  que acabamos de ler. No verso 9 ele usa uma expressão que norteia toda a sua comunicação: “no tocante ao amor fraternal” – a palavra aqui traduzida por “fraternal” significa “filadélfia” = “amor de irmãos de sangue, amor familiar, amor comunitário”. Amor familiar envolve alguns fatores: origem comum, criação comum, moradia comum, valores comuns, hábitos comuns, provisão comum, educação comum, sonhos comuns, herança comum…. Num plano espiritual, somos irmãos de sangue em Cristo:  Nele recebemos a salvação de Deus, a provisão de Deus, a missão de Deus, e, acima  de tudo, a família de Deus. Desta realidade espiritual nasce o segundo propósito para nossas vidas: existimos para manter comunhão na família de Deus e esta comunhão se dá, essencialmente, pelo AMOR FRATERNAL….

I – PRINCÍPIOS DO AMOR FRATERNAL

  1. Envolve um foco prioritário da liderança (v. 9a “No tocante ao amor fraternal não  há necessidade de que eu vos escreva…”)
    Paulo, como pastor líder, sentia-se responsável pela qualidade dos relacionamentos desenvolvidos pelos cristãos de Tessalônica. Por isso, estabeleceu o amor como uma prioridade de seus ensinos à igreja. Esta estratégia acabou trazendo resultados: no início da carta ele diz que eles tinham um “amor abnegado” (1:2-3) e aqui em nosso texto reafirma esta sua satisfação com a vivência que eles tinham do amor. Precisamos de planejamento, treinamento, recursos humanos, recursos financeiros, ações evangelísticas e ações sociais, presença marcante na cidade, mas nada disso terá sentido sem o amor: “nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13:35). E amor não será real se não estiver na agenda da liderança da igreja como uma prioridade. Precisamos, mais do que nunca, de uma liderança que ama e ensina a igreja a amar!
  2. Envolve um aprendizado vertical (v. 9b “…porquanto vós  mesmos estais instruídos por Deus…”)
    No amor cristão não existe “autodidatas” = pessoas que têm a habilidade de aprender sozinhas. Por isso os tessalonicenses tiveram que matricular na “Escola do Amor”, por meio da qual foram devidamente “instruídos” sobre  as lições chaves do amor.  Mas quem foi o professor de amor deles?  Foram instruídos pelo maior e melhor de todos os mestres do amor: o próprio Deus. Assim aprenderam a amar pelo método vertical,  que poderíamos chamar de “theodidata”  = o ensino ministrado por Deus pois, na verdade, somente ELE poderia instruí-los e pode instruir-nos sobre os grandes mistérios do amor. “Está escrito nos profetas: e serão todos ensinados por Deus, portanto, todo aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim” (Jo 6:45 e Jr 31:33-34). Só pode amar quem tem a humildade de admitir: “não sei amar” e, humildemente, deixa-se conduzir pelas trilhas do amor pelo único que  ama plenamente: Deus.
  3. É um mandamento (v. 9b “… que deveis amar-vos…)
    Os tessalonicenses não viram o amor como uma dentre muitas alternativas de vida ou apenas uma opção a mais no leque da existência. Compreenderam, desde cedo, que amar é uma ordem que precisa ser obedecida: “novo mandamento vos dou – que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros; nisto conhecerão todos que sois meus discípulos – se tiverdes amor uns aos outros” ( Jo 13:34-35 e Jo 15:12,17, I Jo 3:11, 23). Não fomos obrigados a seguir Jesus, mas a partir do momento que espontaneamente começamos a seguí-LO,  amar tornou-se para nós a maior de todas as ordens  e que  exige de nós a maior submissão.
  4. Amor fraternal envolve reciprocidade (v. 9b “…uns aos outros..”)
    Os tessalonicenses, em meio ao sofrimento, compreenderam nitidamente que o amor fraterno não admite exclusão, discriminação, rejeição, seleção, pelo contrário, ele é um convite permanente à uma reciprocidade sadia. Trocando em miúdos: aquela lista de pessoas especiais,  por quem você nutre muito apreço,  e que fazem parte do seleto rol de pessoas que você ama,  precisa ser ampliada imediatamente com a inclusão daquelas  pessoas com as quais você tem se empenhado o máximo para “manter distância”.
  5. Envolve prática (v. 10a “e, na verdade, estais praticando isso mesmo para com todos os irmãos em toda a a Macedônia…”)
    PAULO arremata com alegria e sinceridade o diagnóstico que ele já fizera da igreja de Tessalônica: “na verdade estais praticando isso mesmo para com todos os irmãos em toda a Macedônia” (v. 10a). Enfim, amar para eles não era um mero discurso lembrado no culto dominical das 19 horas, numa série de mensagens sobre os “propósitos da nossa vida”,  mas uma realidade inquestionável e  indubitável! Não somos chamados a desenvolver uma sábia teoria sobre o amor, mas a traduzi-lo em ações diárias que evidenciem um amor sincero que vem do coração de Deus para  o nosso coração.
  6. Envolve uma “santa” falta de limites (v. 10b “Contudo, vos exortamos, irmãos, a progredirdes cada vez mais…”)
    Apesar deste maravilhoso elogio, Paulo, com a ousadia que lhe era peculiar, exortou aos tessalonicenses sobre a necessidade de “progredirem cada vez mais no amor fraterno”. Este é o grande paradoxo do amor: quanto mais amamos, mais conscientizamo-nos que ainda estamos longe do amor sonhado por Deus para nossos relacionamentos. Não adianta estabelecer uma cota de amor para ser oferecida ao próximo em suaves prestações, sem muito empenho, entrega, solidariedade, partilha, dedicação, renúncia,  garra e relacionamento. Como sabiamente lembrou Agostinho de Hipona, “a medida do amor é amar sem medida”. Por isso, por mais paradoxal que seja, cada vez que aprendo e vivo uma lição da Escola do Amor, eu preciso me conscientizar que não sei amar como deveria amar.
  7. Envolve o respeito à privacidade (v. 11a “e a diligenciardes por viver tranquilamente, cuidar do que é vosso…”)
    Paulo afirma que eles deveriam “diligenciar” , ou seja, considerar como questão de honra “viver tranquilamente cuidando efetivamente do que era deles”. O sentido desta tranquilidade não está numa vida de muita mordomia, lazer, descanso no estilo “sombra e água fresca”, mas numa vida onde conforme lembra Howard Mashall eles “não deveriam ser abelhudos” respeitando a privacidade pessoal e familiar das pessoas (II Ts 3:11 “…. pessoas que se intrometem na vida alheia”). “Trocando em miúdos”: amar é administrar bem o que Deus nos tem dado para que não seja necessário explorar de forma injusta e inadequada o irmão que Deus nos tem desafiado a amar….. Amar é respeitar este limite da privacidade…..
  8. Envolve o respeito à produtividade (v. 11b “… e trabalhar com as próprias mãos, como vos ordenamos…”)
    A igreja de Tessalônica estava  muito focada na volta de Cristo. Na verdade, desde sua conversão, eles aguardavam com muita esperança que ela acontecesse logo (1:10 e cp 5). Contudo, em nome desta esperança, alguns irmãos estavam deixando o trilho do amor responsável para andar pelo trilho da vagabundagem: “já que Jesus voltará logo, para que trabalhar, vamos servir ao Senhor e deixar que Ele levante pessoas para nos sustentarem”. Paulo, transparentemente, dá um basta nesta distorção lembrando que a ordem clara e objetiva de Deus é que cada um deve “trabalhar com as próprias mãos” (I Co 4:12; Ef 4:28). Traduzindo: quem trabalha honestamente e dedicadamente, não vai precisar de viver às custas dos outros e nem terá tempo para “dar pitaco” na vida dos outros. Amar é respeitar este limite da produtividade com responsabilidade….
  9. Envolve o respeito à irrepreensibilidade (dignidade)  (v. 12 “de modo que vos porteis com dignidade para com os de fora e de nada venhais a precisar”)
    Paulo diz que no relacionamento com aqueles que não são crentes em Jesus (“são de fora”) eles deveriam se portar com “dignidade para que nada viessem a precisar”, ou seja, não basta ter uma boa conduta diante de Deus (2:12), é necessário ter uma boa conduta diante dos homens (Col 4:5 “portai-vos com sabedoria para com os que são de fora…” Rom 13:13, I Tm 3:7, I Pd 2:12). Trocando em miúdos: amar é deixar de ser uma parasita social, alienado, indiferente, insensível, para transformar-se num cidadão do Reino que valoriza a cidadania da nação como um trabalhador honesto, sincero, dedicado, solidário que se vê como uma solução positiva para os desafios que tem à sua volta (II Ts 3:6-13), como fez Neemias no passado….

II – NOSSOS DESAFIOS NA VIVÊNCIA DO AMOR FRATERNAL

  1. Redimensionar o uso do “seu” tempo
    O melhor presente que você pode dar a uma pessoa é o seu tempo; a melhor maneira de soletrar amor é t-e-m-p-o”. Talvez você descanse no fato de que está dando às pessoas dinheiro, bens… A essência do amor não está em dar alguma coisa a alguém, ainda  que isto seja muitas vezes importante, mas em “dar-se” a alguém. (Ex. do marido/pai: “não entendo minha mulher e meus filhos… dou tudo para eles e eles ainda ficam reclamando”? Na verdade eles querem você: seus olhos, ouvidos, tempo, atenção, presença, interesse. Nada pode substituir sua “atenção concentrada” (Rick Warren – Vida com Propósito – Pgs 111 e 112)
  2. Priorizar a participação em um pequeno grupo
    Deus é amor e o seu amor manifesta-se no pequeno grupo mais perfeito: “Pai, Filho e Espírito Santo” , no qual individualidade e comunidade funcionam de forma plenamente armônica. Um só Deus que se manifesta em três pessoas, interdependentes e perfeitamente unidas. Na comunhão = amor fraternal = quanto menor o grupo melhor. Ex. –  nossas opções comunitários:  células, grupos de discipulado (Vida em Jesus e Life on Life),  Grupos de Refexão (domingos de manhã); ministérios específicos (crianças, adolescentes, jovens, senhoras,  casais); ministérios gerais (oração, louvor), ministérios de liderança geral (conselho, diaconia).
  3. Abrir sabiamente o coração (II Co 6:11-13)
    “Para vós outros, ó coríntios, abrem-se os nossos lábios, e alarga-se o nosso coração. Não tendes limites em nós; mas estais limitados em vossos próprios afetos. Ora, como justa retribuição (falo-vos como a filhos), dilatai-vos também vós” (II Co 6:11-13)
  4. APELO:

    a) Experiência do grupo matinal (Quézia);
    b) Talvez você esteja dizendo: “mas isto não é novidade para mim, eu já faço tudo isto a muito tempo”. O Espírito Santo te encontra hoje para dizer: “ é verdade, seu amor fraternal é como o amor da igreja de Tessalônica, mas assim como ordenei a ela, eu ordeno a você – eu exorto você a progredir cada vez mais” (v. 10b).

    Pr Jair Francisco Macedo
    Sermão pregado em 21/01/2018

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