Perseverando no Serviço – MC 6:30-44

24 de fevereiro de 2018
Perseverando no Serviço – MC 6:30-44
  • O que há de comum entre Neymar, Raí, Ronaldo, Cafu, Denílson, Felipão, Xuxa, Marília Gabriela e a professora de dança Ana Cravo, a agente de saúde Nancy Gomes, o juiz Antonio Malheiros, a conselheira Milu Vilela e a dona de casa Hilda Maria de Jesus? Todos estão ligados a movimentos que apóiam pessoas carentes em nosso país. Segundo levantamento do Instituto de Estudos da Religião 26 milhões de brasileiros estão trabalhando de graça para cerca de 220 mil entidades de assistência social. Leonardo Aritzer (professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Viçosa-MG): “um número cada vez maior de  pessoas está descobrindo que é possível fazer alguma coisa para reduzir a crise social no país; a crença de que isto era tarefa exclusiva do governo está se revertendo”.  O texto de hoje chama a nossa atenção para este que é  um dos grandes propósitos de Deus para nós que somos seguidores de Cristo: servir pessoas colocadas à nossa volta.
  • Contrastes do texto
    Executar e o  relatar (v. 30 cp com 6:12-13); descanso e o trabalho (v. 31);  solidão e a multidão (v. 32-33)
  • O foco central do texto
    Após narrar estes constrastes, Marcos concentra sua atenção numa verdade fundamental: Jesus é Deus na terra focado no propósito de servir as multidões e Ele assim age pois queria que seus discípulos. fizessem do serviço um dos propósitos chaves para suas vidas (v. 34-44). A síntese deste propósito  está na ordem que dá nome à nossa reflexão: “Dai-lhes vós mesmos de comer” – dar de comer a quem tem fome é uma das maiores e melhores expressões do serviço cristão….. Nossa pergunta chave é: que elementos envolve a PERSEVERANÇA NO SERVIÇO?

I – SERVIÇO ENVOLVE VISÃO E CORAÇÃO (v. 34 “Jesus viu e compadeceu porque eram como ovelhas que não têm pastor”)

Marcos, inspirado pelo Espírito Santo, traduziu em dois verbos chaves a atitude que Jesus teve com a multidão: “viu”  e  “compadeceu”. Ver é de extrema importância, pois nos permite fazer um diagnóstico da realidade que nos circunda. Mas visão sem “compaixão” é uma mera utopia e não faz de nós o que Deus deseja que sejamos: agentes de transformação da história.

O ditado popular afirma que o “pior cego é aquele que não quer ver”. É Do ponto de vista espiritual podemos dizer: “o pior cego é aquele que não vê com os olhos do coração”. Cegados por um comodismo capitalista, tentamos às vezes nos auto-enganar partindo do pressuposto que os famintos estão distantes, quando na verdade estão aí nas ruas e praças da cidade, bem à nossa porta, clamando por gente como Jesus que os identifique e os coloque no coração auxiliando-os na busca de uma alternativa ágil, concreta e eficiente para a sua miséria.

II – SERVIÇO  ENVOLVE CORAÇÃO À PALAVRA (v. 34b – “e passou a ensinar-lhes muita coisa” )

A fome da multidão tinha uma dimensão horizontal concreta: a tarde logo chegaria ao fim e os ruídos estomacais estariam sinalizando uma necessidade urgente de comida. Mas Jesus,  soberanamente e sabiamente, identificou uma outra dimensão de fome muito mais séria: a fome de Deus, por isso   Jesus apressou-se em  cuidar dela ministrando o “pão da vida” (Jo 6:48-51). Qual é a grande lição? Jesus está  sinalizando claramente  que os famintos que cruzam nosso caminho são na verdade oportunidades por Ele criadas para oferecermos o único suprimento que satisfaz a fome espiritual aqui e na eternidade: Ele mesmo.

III – SERVIÇO  ENVOLVE PALAVRA E PÃO  (v. 35-37 “.. é deserto… avançada a hora….despede-os para que comprem para si o que comer….. dai-lhes vós mesmos de comer”)

A atitude dos discípulos de Jesus no passado revelou o nosso dilema hoje: como faremos…? alimentar a multidão é uma tarefa da comunidade cristã? Não basta comunicar o amor de Deus em Cristo e deixar que ela mesma “se vire” buscando uma alternativa viável para sua carência alimentar? Jesus, soberanamente e sabiamente, faz  declaração que sintetiza nossa reflexão: “dai-lhes vós mesmos de comer”! Aqui está a mais perfeita síntese do serviço cristão: o pão do Evangelho e o pão de trigo, duas vias de uma mesma estrada, duas posturas que  traduzem a integralidade de nossa missão.

IV – SERVIÇO ENVOLVE  PÃO E DISPONIBILIDADE (v. 38 “quantos pães tendes…”?)

O serviço cristão não se faz com boas intenções, com sentimentalismo vazio e promessas irresponsáveis que talvez, quem sabe, podem se concretizar num futuro incerto, mas com um levantamento preciso e concreto que responda a uma pergunta simples: o que temos agora. Vivendo em tempos de grande crise, naturalmente somos impelidos a focar a atenção no que  não temos para encontrar uma justificativa que leve nosso coração insensível a dizer: nada temos, portanto, nada podemos fazer. Assim como confrontou os seus discípulos no passado, Jesus encontra-nos hoje para dizer com muita sinceridade: “ o que vocês têm? Ide ver”! O que temos agora que pode imediatamente ser-lhe oferecido para que de alguma maneira concreta a fome de alguns que estão sob nossos olhos seja minimizada?  Serviço não se faz com discursos, mas com ações objetivas evidenciadoras de nossa real preocupação com a dupla miséria do homem: a espiritual e a física.

V–SERVIÇO ENVOLVE DISPONIBILIDADE E MIRACULOSIDADE (v. 39-41a “ordenou que todos se assentassem em grupos….  tomou os pães e peixes …. erguendo os olhos aos céus os abençoou”)

Cinco pães e dois peixes simbolizam os limites de uma natureza humana impotente diante de seus grandes desafios. Contudo, em sendo colocados nas mãos do Senhor e tornando-se alvos da Sua oração abençoadora, simbolizam os ilimitados recursos da natureza divina que supre  hoje “ricamente em Cristo Jesus cada uma das nossas necessidades” (Fp 4:19). O serviço cristão faz-se com a crença inabalável que Deus em Cristo, por meio  da consagração generosa e liberal do pouco que temos, Ele faz um grande milagre no contexto  dos pequenos grupos sociais,  multiplicando nossas possibilidades de influenciar a multidão com o Seu toque miraculoso.

VI – SERVIÇO ENVOLVE MIRACULOSIDADE E RESPONSABILIDADE (v. 41b “deu-os aos discípulos para que os distribuíssem…” )

O ciclo do serviço cristão integral envolveu não só a captação dos alimentos mas a sua distribuição. Assim, a ordem que fornece tema ao nosso estudo – “daí-lhes vós mesmos de comer” – concretizando um ciclo que envolve: visão, coração, doação, transformação e distribuição. Fica assim, claro,  que a nossa missão será sempre uma parceria divino/humana que exigirá o melhor do milagre de Deus e o melhor da nossa vida, numa expressão responsável de comprometimento com a missão integral de Jesus.

CONCLUSÃO (v. 42-44 “todos comeram e se fartaram….”)

  • Estatísticas da FAO:
  • Cerca de 100 milhões de pessoas estão sem teto;
  • 1 bilhão de analfabetos;
  • 1,1 bilhão de pessoas vivem na pobreza, destas, 630 milhões são extremamente pobres, com renda per capta anual bem menor que 275 dólares;
  • 1,5 bilhão de pessoas sem água potável;
  • 1 bilhão de pessoas passando fome;
  • 150 milhões de crianças subnutridas com menos de 5 anos (uma para cada três no mundo);
  • 12,9 milhões de crianças morrem a cada ano antes dos seus 5 anos de vida;
  • No Brasil, os 10% mais ricos detêm quase toda a renda nacional

Diante desta grave realidade precisamos guardar e viver os princípios sobre o serviço cristão que Jesus nos ensinou nesta noite:

 

  1. Somos chamados a fazer um serviço de boas novas – não somos um clube de serviço, uma ong, uma associação partidária  ou uma fundação de assistência social. Nossa missão primordial “é dar a todos o evangelho que é de todos” – a boa nova de que pela fé  em Cristo o homem tem sua plena redenção (Ef 2:8-9)! 2.)
  2. Somos chamados a oferecer boas novas de serviço –  ação social  e evangelização são duas realidades intrínsecas, inseparáveis e impactantes, essência do único projeto que pode transformar equilibradamente a sociedade: o Reino de Deus! (Mc 1:14-15).
  3. O serviço cristão  começa com você

    Abra os olhos, abra o seu coração, avalie o que  o Senhor lhe tem dado, coloque o que você já tem à disposição de Deus, creia que Ele fará um maravilhoso milagre, disponha-se a ser um intermediário entre o Deus provisionador com o homem carente…..

    Pr Jair Francisco Macedo
    Sermão pregado em 04/02/2018

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